Tema da Adoção mobiliza sociedade de Macaíba em lançamento do Projeto “Eu Existo”

Dentre as autoridades presentes estavam: Dr. Felipe Barros, juiz da Comarca de Macaíba, representantes do Ministério Público, políticos locais e Pe. Francisco de Assis.
Foto: Reprodução/RJ RN

A Corregedoria Geral de Justiça do RN (CGJ) participou, na manhã desta quinta-feira, 24, de mais uma audiência pública, na cidade de Macaíba, cuja meta foi a de debater a problemática da Adoção no Rio Grande do Norte. O evento, com o auditório do Pax Club praticamente lotado, foi aberto pela corregedora geral de justiça, desembargadora Maria Zeneide Bezerra, a qual apresentou as ações do órgão, dentre elas o objetivo do programa “Eu Existo”, que visa dar visibilidade à crianças e adolescentes disponíveis nos abrigos da Capital e da Grande Natal.

“O que queremos hoje aqui? É mostrar que existem crianças que estão em abrigos sem estrutura física e sem políticas públicas que só desejam uma família, serem amados”, disse a corregedora, na abertura da audiência pública, que também contou com a presença da juíza corregedora auxiliar, Fátima Soares, dos juízes da comarca, os magistrados Felipe Barros, bem como de vereadores e de representantes do Ministério Público, de entidades que trabalham o tema no RN e da Igreja Católica, por meio do pároco de Macaíba, padre Francisco de Assis.

A desembargadora também apresentou os dados recentes sobre a adoção, contabilizados pelas Varas da Infância e da Juventude, de que há 476 pessoas cadastradas para adotar e apenas 43 crianças e adolescentes disponíveis para a adoção. Para a desembargadora, trata-se de uma conta que “não bate” e que precisa de estratégias para reverter tal realidade.

“O número de pessoas interessadas em adotar é muito maior que aquelas que desejam uma família. Mas muitas dessas crianças não se encaixam no perfil. Precisamos dar visibilidade a elas e reverter isso”, enfatiza a corregedora geral.

Para o diretor jurídico da Ong Acalanto, Francisco Cláudio, que trabalha há mais de duas décadas com a problemática no Estado, a questão não é culpa de uma esfera pública ou de uma pessoa apenas.

“Não se trata de encontrar um culpado para crianças que entram bebês num abrigo e ficam até a adolescência. A culpa disso é de todos nós”, aponta o representante da Ong, ao ressaltar que o “Eu Existo” se torna uma espécie de legado na história do RN e do país.